sábado, 10 de janeiro de 2015

O Proibido

A rotina e a repetição.
Não sou máquina, uma robô. 
Odeio seguir caminhos percorridos. 
Traga-me sempre as surpresas. 

Dormir em seguida.
Não durma logo, o gozo se esvai.   
Seu ronco se faz  ironia, sarcasmo.
A cumplicidade exige presença. 

 A pagar a luz.
Detesto demais o escuro
Anseio por nos enxergarmos . 
Sua barriga e minhas estrias,
carinhos a serem curtidos.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Suas mãos


Aqui nesta sala tão fria, 
ah, desliguem esse ar!

Rodeada dessa gente insossa, incolor 
vazia, vem-me a lembrança da sua 
mão, grossa, a passear assim rude, 
sobre a minha pele, que a acolhe, 
abraça e nunca a repele.

Quando firme me laça em seus braços 
fortes, vai-se a mulher frágil,
vem poderosa a rainha.

Rosto então se aquece, viro e me reviro, 
ágil, à volta tudo se esquece.

A temperatura é febril e assim me 
entrego, toma-me, a devassa.

Leva-me ao sossego.
  

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Chama

Você é chama que chama vem, oferta-me 
segredos, aponta-me ocultos desejos.

Cúmplice vou, neles passeio.

Torno-me a terna mulher, mas logo me 
transformo e assumo, dirijo a festa.

Ofereço minhas delícias, tempero a 
nossa cama, e lhe dou mil sabores. 

Desvelo, toda me revelo, em seu desvelo, 
nada velo e me tomas e lhe tomo e me 
comes e lhe como, então, somos 
só prazer.

Até que no gozo imenso, a 
explosão, mil estrelas. 

O dia já vem chegando e 
abraçados,  dormimos.